Há momentos em que a alma grita, mas a palavra cala. O mundo ao redor se tinge de cinza – e a palavra segue silente. A chuva interior provoca, rios atravessam a garganta, arranham, maltratam, congestionam o olhar... A palavra some. A emoção força as fibras do coração, a confusão de sentimentos se funde no cérebro, que não ousa tentar organizar o caos. E a palavra se esconde. Lya Luft fala, em algum de seus livros, da letal incomunicabilidade de certas emoções – que, não raramente, rompe relações de décadas, esfria amizades de toda uma vida e, o que é muito pior, divorcia a pessoa dela própria. Não, não se trata da depressão, a palavra da moda – ao menos não na forma em que o mal da modernidade vem sendo conceituado. O silêncio a que me refiro existe por essência. Acredito que atormentou de Freud a Simone, a amada de Jean-Paul, de John Lennon a Churchil, de Dali a Alice Cooper, para ampliar o leque de personalidades. Certamente foi presença marcante na poesia de Leminski e Florbela Espanca, na trajetória musical de Renato Russo, Cazuza, Elis, Raul Seixas, Janis, Janis. Este é, pois, o silêncio da impossibilidade de reagir diante de certas dificuldades – sejam externas ou, as piores, as fabricadas por nós mesmos. É uma espécie de luto sem morte, de morte sem adeus. Uma verdadeira tragédia que desilumina e isola. Que encontra obstáculos aparentemente intransponíveis onde antes havia tanta luz. A palavra sangra, solitária, aprisionada pela alma
Forte abraço,
A coordenação.
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